Prémios Arco Iris

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Prémio Arco-íris, reconhecimento pelo trabalho na luta contra a homofobia

Enquanto Associação de defesa dos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero (LGBT), a Associação ILGA Portugal tem sempre tido como causa primeira a luta contra a homofobia.
É que a homofobia, enquanto atitude de hostilidade para com as LGBT, tem consequências que conhecemos bem demais: na família, na escola, no acesso a bens e serviços, no trabalho, e até na própria lei, a homofobia vai-se manifestando diariamente, continuando a tentar tornar-nos menos do que somos.

E embora a Associação ILGA Portugal continue a empenhar-se na divulgação de situações de discriminação e no combate ao preconceito homófobo, esta nossa causa não é, nem deve, nem pode ser só nossa. 

Daí que a Associação ILGA Portugal atribua anualmente o seu Prémio Arco-Íris, como forma de reconhecimento e incentivo a personalidades e/ou instituições que, com o seu trabalho, se distinguiram na nossa - e vossa - luta contra a homofobia.

 

 

Historial dos Prémios Arco-Íris

2016    2015    2014    2013    2012    2011    2010    2009    2008    2007    2006    2005    2004    2003    Todos

2016
A cerimónia de atribuição dos Prémios Arco-Íris 2016 decorreu no dia 14 de janeiro de 2017, desde 21h30, no Estúdio Time Out - Mercado da Ribeira.
 
O website desta iniciativa pode ser acedido em http://premioarcoiris.ilga-portugal.pt/2016/
A não perder: o vídeo da festa em https://youtu.be/w9PGLKwbwWM
 
 A ILGA Portugal decidiu atribuir o Prémio Arco-Íris a:
 
Catarina Marques Rodrigues
A vida no Colégio Militar:
“Parece um Big Brother”
 
Denúncia. O tempo do silêncio acabou. Foi esta a mensagem que Catarina Marques Rodrigues soube enviar, num extenso artigo sobre a vida de jovens estudantes do Colégio Militar. Numa peça em que se debruça sobre modelos de educação e igualdade de género, a jornalista veio denunciar a discriminação em função da orientação sexual vivida nesta instituição.
Ouvindo estudantes e dirigentes, Catarina Marques Rodrigues recolheu as suas perceções sobre a homossexualidade, mostrando um “tabu” passado entre gerações e sobretudo as práticas discriminatórias de exclusão, do silenciamento dos alegados “afetos” até ao convite dissimulado à expulsão ou transferência de alunas e alunos homossexuais. A onda de indignação com base na peça desta jornalista levou a uma posição forte do Ministro da Defesa condenando a discriminação, seguindo-se demissões quer do Chefe do Estado-Maior do Exército quer no Colégio Militar. Mais: esta peça abriu espaço para que ex-alunos e alunas pudessem falar abertamente sobre a violência que sentiram nesta e noutras instituições de ensino, cuja responsabilidade é também a de proibir a discriminação e garantir a inclusão de todas as pessoas. Catarina Marques Rodrigues é uma jornalista bem atenta às questões sobre a discriminação das pessoas LGBT e continuará certamente a lembrar-nos que ainda há mesmo muito por fazer para garantir o fim da discriminação. O contributo do seu trabalho este ano foi ímpar e celebramo-lo, por isso, com o nosso forte aplauso.
 
 
TAP e Lush
Boas práticas empresariais
 
A discriminação só se combate com todas e todos nós. E há ainda um longo caminho a percorrer para que a noção de responsabilidade social nas empresas em Portugal inclua a preocupação com a discriminação das pessoas LGBT. Mas há boas exceções a celebrar.
Este ano, a LUSH, uma marca de cosméticos que conta com várias lojas em Portugal, decidiu lançar a campanha “TRANSformando o Mundo”, que não só apelou à participação de todos e todas para “Limpar Preconceitos” em relação às pessoas trans, como também se constituiu como um momento de formação para a equipa de trabalho da própria empresa, que está agora mais apta para contribuir diariamente para a igualdade das pessoas LGBT. A propósito do Dia de São Valentim, a TAP Portugal lançou um passatempo que teve também como vencedor um casal de mulheres. Os comentários de ódio inundaram os canais de comunicação desta companhia aérea, que nem por isso deixou de atribuir o prémio ou de fazer notar o cumprimento da Constituição, apelando em resposta a todos os comentários homofóbicos para a importância da inclusão e do uso de linguagem adequada e não ofensiva, numa gestão exemplar de um caso claro de discurso de ódio e homofobia online. De pequenos grandes passos se fazem as boas práticas empresariais. Celebramos hoje as boas práticas da TAP e da Lush - e que venham muitas mais!
 
 
“E se fosse consigo?”
Conceição Lino / Carlão & Boss AC
 
Da autoria da jornalista Conceição Lino, o programa “E se fosse consigo” testa a nossa capacidade de intervenção perante situações de discriminação.
O episódio dedicado às pessoas Lésbicas, Gays e Bissexuais mostrou que o preconceito continua de facto enraizado na sociedade portuguesa. Mas, mais do que isso, mostrou-nos que as manifestações de afeto são e devem ser cada vez mais comuns. E mostrou ainda que o orgulho e o direito à indiferença se têm vindo a implementar com força e convicção no nosso dia a dia, substituindo-se ao medo, à vergonha, ao estigma ou à humilhação. Num programa em que a ficção dá voz aos silêncios da realidade, Conceição Lino alertou para a importância de se continuar a reivindicar direitos e a denunciar a discriminação. No genérico do programa – e no videoclip associado, Carlão e Boss AC dão corpo musical a uma lógica de serviço público que se quer mais presente na televisão e na música portuguesa: a da representatividade, da visibilidade – também das pessoas T - e do trabalho contínuo pelo reconhecimento da igualdade, que celebramos esta noite com mais um forte aplauso.
 
 
Rui Maria Pêgo
 
“O meu trabalho é público. Coincide gostar de homens.“ As palavras de coming out do apresentador e radialista Rui Maria Pêgo no seguimento do atentado de Orlando causaram impacto imediato nas mais de 60.000 mil pessoas que o seguiam enquanto figura pública nas redes sociais, e tiveram ainda maior repercussão em vários meios de comunicação social.
Afirmando-se como homem gay e já depois de vários posicionamentos públicos contra a homofobia e a transfobia, Rui Maria Pêgo juntou-se à lista crescente de figuras públicas que contribuem para a visibilidade da causa LGBT em Portugal, tornando-se em mais uma importante referência junto das tantas pessoas que ainda não conseguiram sair do armário do medo, da invisibilidade e do silêncio. Honrar as vítimas de Orlando foi precisamente para muitas e muitos de nós o momento em quebrámos esse silêncio. Rui Maria Pêgo mostrou-nos que é tempo de resistir e de nos afirmarmos ainda com mais força. É com orgulho que celebramos em conjunto essa decisão com mais um forte aplauso.
 
 
Filme “Jogo de Damas”
de Patrícia Sequeira
 
Rita Blanco, Maria João Luís, Ana Nave, Ana Padrão e Fátima Belo constituem o elenco do filme “Jogo de Damas”, escrito por Filipa Leal e realizado por Patrícia Sequeira.
Cinco atrizes, uma realizadora e uma argumentista trabalharam em conjunto o enredo das personagens que, envoltas em medos, em descrenças e em jogos de poder dentro das suas próprias relações, convivem com a presença invisível de uma relação lésbica, com uma relação de amor que convive com a homofobia internalizada, com a libertação do coming out a surgir ao lado da dor causada pela morte. Este é um filme de mulheres e sobre mulheres que nos vem lembrar que a Orientação Sexual continua a estar bem no centro dos conflitos familiares e a ser motivo para medos e silêncios dentro das relações de amizade. Mas há mais: a visibilidade de mulheres continua a ser particularmente limitada na ficção e na vida real. Pensar, desenvolver e representar personagens lésbicas ou bissexuais é fundamental para que as longas metragens portuguesas continuem a sair do armário. Celebramos por isso o excelente contributo do filme “Jogo de Damas” que, pelo mérito artístico e pelo ativismo subjacente, merece todo o nosso apreço e reconhecimento.
 
 
Fim da Discriminação no Acesso à PMA
Assembleia da República
 
Em 2004, a Assembleia da República recebeu um Prémio Arco-Íris por proibir a discriminação com base na orientação sexual na nossa Constituição. Em 2016, premiamos a Assembleia da nossa República por ter finalmente fechado um ciclo de discriminação explícita na própria lei.
Até 2016, a lei portuguesa proibiu e puniu o recurso a técnicas de Procriação Medicamente Assistida para mulheres solteiras ou casais de mulheres, obrigando-as a recorrer a um turismo civilizacional para poderem concretizar o seu direito fundamental a constituir família. A igualdade no acesso à PMA foi o último passo para eliminar um passado de discriminações explícitas na lei, em contradição com a Constituição. Não foi por acaso que este foi o último passo, mostrando bem o peso da discriminação sobre as mulheres e o peso da invisibilidade a que ainda estão sujeitas. Mas os alertas sistemáticos para esta discriminação inaceitável foram reunindo consenso dentro da maioria dos partidos com representação parlamentar e, em abril de 2016, o Parlamento decidiu finalmente alargar a PMA a todas as mulheres, promovendo também os seus direitos sexuais e reprodutivos. Depois da igualdade no acesso à adoção e coadoção, cumpriu-se finalmente a igualdade no acesso à parentalidade. Este fim de um ciclo é apenas o início de um longo trabalho pela igualdade e pelos Direitos Humanos. Celebramos hoje esse novo início, saudando a Assembleia da República e congratulando as deputadas e os deputados que se levantaram pela igualdade, pela liberdade e também pela felicidade de tantas e cada vez mais famílias. Com o nosso aplauso, mostramos que o arco-íris chegou - e que veio para ficar.
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