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Itália: Lésbica proibida de dar sangue
2011-11-03
darsangue

«É lésbica? Não pode dar o seu sangue.» Isto foi o que disseram a Lidia Marchesi, de 39 anos, no sábado de manhã na Clínica Umberto I, em Roma. Durante a entrevista preliminar com um profissional de saúde, ela explicou que estava numa relação estável com a sua companheira, há mais de 4 meses, ou seja, o período previsto por lei para poder dar sangue.

«A pessoa com quem falei, um médico, penso, colocou-me uma série de questões privadas, inclusivamente sobre a minha vida sexual”, explicou Lidia Marchesi à agência de imprensa italiana Ansa. “Quando lhe disse que era lésbica, respondeu-me que não podia dar o meu sangue porque a minha orientação sexual era considerada “de risco”».

«A homossexualidade não é um motivo de exclusão»
É nestas duas últimas palavras que consiste a ambiguidade da legislação italiana sobre o assunto. Não existe uma lei que proíba homossexuais – homens ou mulheres – de dar o seu sangue em Itália, já que não há menção da orientação sexual. No entanto, a lei estipula que as pessoas expostas a práticas de risco (relações não protegidas, uso de drogas, etc) não podem dar sangue. O mesmo se encontra no site de AVIS, a associação italiana dos doadores de sangue. Cabe portanto ao médico avaliar se o doador é “de risco” ou não.

«Claro que todos somos livres de ter a nossa vida privada e não julgamos ninguém», respondeu Gabriella Girelli, diretora do centro de transfusão da Clínica Umberto I, às acusações de discriminação. «A homossexualidade não é um motivo de exclusão para dar sangue, é preciso verificar o que se passou na entrevista preliminar, sem que se viole o segredo profissional», explicou a diretora à Ansa.

Debate sobre a doação de sangue em Itália
Apesar da clínica recusar falar de discriminação, Lidia Marchesi anunciou que pretende apresentar queixa. «É absurdo», deplorou. «Eu e a minha companheira somos um casal normal, amamo-nos e respeitamo-nos, talvez ainda mais que outros casais.»

Este incidente relançou o debate em Itália onde casos de proibição de dar sangue por pessoas LGBT são frequentemente denunciados.

Em 2007, na cidade de Pordenone, perto de Veneza, ocorreu um episódio semelhante. E mais recentemente, em Milão, em julho de 2010. Um jovem, numa relação com o seu companheiro há cinco anos, e que já tinha dado sangue várias vezes, foi recusado. Vários políticos, inclusivamente o ministro da saúde da época, declararam-se a favor de uma nova lei que clarificasse o assunto. As pessoas LGBT italianas ainda estão à espera.

[Tradução livre]

In Têtu, 3 novembro 2011, por Charlie Vandekerkhove

 
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