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O drama dos homossexuais que não o assumem
2015-03-25
O drama dos homossexuais que não o assumem

 As mentalidades mudaram, mas não o suficiente, dizem os activistas. Por medo ou vergonha, há quem viva infeliz “numa montra”

Tom Cruise e John Travolta estão na capa da revista “Star” por, supostamente, viverem um romance homossexual há três décadas. As dúvidas sobre a orientação sexual de ambos não são de agora, mas nunca os dois actores tinham sido confrontados com a suspeita de estarem juntos numa relação. Segundo a publicação britânica, “John ficou obcecado por Cruise depois de ver o filme ‘Negócio Arriscado’, em 1983”. A confirmar-se, resta perceber porque terão optado por viver uma vida dupla. Talvez porque, como diz Isabel Advirta, presidente da ILGAPortugal, “ainda vivemos num mundo que nos diz que sejamos heterossexuais.”
 
Da publicidade aos romances, do cinema às demonstrações de afecto no espaço público, “o mundo consegue excluir casais de pessoas do mesmo sexo de uma forma que chega a ser agressiva”. 
Já António Serzedelo, figura histórica do activismo LGBT, está convencido de que as vidas duplas acabaram por fazer parte dos hábitos dos homossexuais que   se tornaram adultos sem nunca saírem do armário: “É vida para uma montra e os visitantes dessa montra são quem eles querem. Habituam-se a essa duplicidade, mas causa um grande desgaste psicológico. Tornam-se depressivos e deprimentes.” E isto porque, diz Serzedelo, “essa tristeza permanece durante as suas vidas e habituam-se, como se se tratasse de uma doença ou deficiência”.
 
Os tempos podem ser outros, mas o certo é que, “apesar de haver uma abertura de mentalidades, ainda não há uma aceitação total”, defende o psicólogo Hugo Sousa. Sobretudo se em causa estão figuras públicas que têm de vender a sua imagem, “muitas vezes em meios mais conservadores”, acrescenta o especialista.
 
A questão de serem de figuras públicas pode ser um dos factores que mais dificultam a “saída do armário”. Se a pessoa não pode assumir a identidade, há sempre consequências na saúde mental. No caso dos actores, a exposição será maior, o que os leva a defenderem-se mais. “Mas para o cidadão comum também não é fácil”, garante Hugo Sousa.
 
Para António Serzedelo, a vida dupla de quem não assume a sua orientação sexual ocorre “maioritariamente em homens casados”, porque “foram aqueles que tiveram de cumprir um determinado papel social”. Também IsabelAdvirta refere o facto de existirem “pessoas que casam ou se relacionam sistematicamente com alguém do sexo oposto, contrariando o que sentem e tomando uma opção que torna potencialmente infelizes todos os envolvidos.
 
HOMOFOBIA “Ser gay não quer dizer que não se seja homofóbico”, garante ainda Serzedelo. Muitos destes homens que não saem do armário têm filhos e “depois educam-nos na homofobia”. Consideram que o que fazem é um erro e para afastar o fantasma adoptam um “perfil hetero-homofóbico”. “É uma vida de dor. Não acreditam nelas nem nos outros. E não se amam a si próprios, estando em depressão contínua”, acrescenta.
 
E dizer ao mundo “que se ama a pessoa com quem se está, além de libertador é um motivo de orgulho”, assegura Isabel Advirta: “Não é fácil contrariar o silêncio para o qual as pessoas LGBT são remetidas, mas depois de sair do armário o mundo fica um lugar respirável e muito mais bonito.”
 
A sociedade tem vindo a abrir-se em questões de ordem sexual, mas as cidades cosmopolitas continuam a ser os locais onde há mais aceitação. “A sociedade está mais aberta mas não toda: nas cidades do Interior não. Em Portugal, no litoral é onde há mais cosmopolitismo. Num bar há a possibilidade de conhecer alguém; na província já não é tão fácil, toda a gente se conhece. Lá tem de se usar outros esquemas para socializar. Numa terra pequena há o medo de ser apanhado”, avisa Serzedelo.
 
Mas não são só a sociedade ou a localização geográfica que têm implicações na decisão de assumir ou não uma orientação sexual. HugoSousa chama a atenção para o facto de “ser gay e frequentar a Igreja Católica ser complicado.” Mas a vergonha está sempre presente, perante a família e os colegas. “Não poder partilhar leva a que se procure ajuda”, acrescenta o psicólogo.
 
Também nas redes sociais há o medo de vir a ser apanhado. “Há muitos casos em Portugal. Nas redes sociais há quem tenha um perfil com alguns dados pessoais trocados para que algum amigo ou conhecido não seja capaz de os reconhecer. Muitos têm a homofobia interiorizada”, conclui António Serzedelo.
 
in ionline, 25 março 2015
 
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