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China: os casamentos por conveniência entre homossexuais
2017-12-08
Casamentos China
Até podiam ser casamentos de conveniência como outros quaisquer. Mas há várias diferenças nestes matrimónios entre gays e lésbicas chineses – sempre com pessoas do sexo oposto. A primeira: é habitual assinarem uma espécie de acordo pré-nupcial, que determina a duração do casamento e o número de filhos – espera-se que concebam pelo menos um (a lei nacional não permite mais do que dois). Devem, além disso, fazer refeições juntos, ir a jantares e festas de família e amigos. Tudo para manter a aparência (possível) de normalidade. Estes matrimónios são tão comuns que até têm nome: xinghun, ou casamento cooperativo. 
 
No documentário Inside the Chinese Closet (dentro do armário chinês), de Sophia Luvara, vários gays e lésbicas contam a pressão imposta pelas suas famílias, que querem dar continuidade à linhagem tradicional. Andy, 31 anos, arquitecto, diz que "os pais", principalmente "o pai", "querem um neto." No documentário, relembra o dia em que decidiu assumir que era gay. "O meu pai ficou a chorar e eu nunca o tinha visto chorar antes. Depois ligou-me e disse -me: ‘Deves encontrar uma rapariga, uma lésbica. Rápido, casa -te.’" Na China, a palavra dos pais é sagrada, por isso, Andy fez o que lhe disseram que devia fazer. Escolheu a sua noiva na quarta edição de uma feira de encontros, com vários jovens de número na camisola à procura de cúmplices para um casamento fingido – Andy era o 15. No documentário aparece ao lado daquela que escolheu para sua esposa. "Mas e se tivermos os dois um encontro? Quem é que cuida da criança? Tenho que tomar conta dos teus pais se ficarem doentes? Que método vamos usar para ter um bebé?" A maioria destes casais acaba por ter filhos através de inseminação artificial. Depois, divorciam-se. Andy está agora com um namorado homem e vão ter um bebé de uma barriga de aluguer, nos Estados Unidos. 
 
Pais sugerem comprar bebés 
Cherry, outra protagonista, já está num casamento de conveniência há algum tempo, mas recusa-se a ter filhos. "Se ela não tiver um filho, quem é que vai cuidar dela? Ninguém. Os filhos devem cuidar dos pais quando eles forem mais velhos", lamenta a mãe dela – na China, a segurança social é pouco desenvolvida e a ajuda financeira de filhos a pais é frequente. 
 
Mas nem por isso Cherry, que nunca assumiu a orientação sexual perante os pais, cede. A mãe, que continua a pressioná-la, chegou a sugerir-lhe que comprasse uma criança no hospital. A realizadora Luvara só percebeu a proposta quando recebeu a tradução, em inglês, e nem queria acreditar no que estava a ler, contou ao jornal El Mundo. Apenas incluiu esta história porque Cherry nunca aceitou os conselhos da mãe e entretanto divorciou-se – agora, vive com a namorada, em Xangai.
 
In SÁBADO, 8 de dezembro de 2017
 
 
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