Noticias

logo ILGA

Notícias: Nacionais

Homossexuais são pais "tranquilos e seguros"
2010-03-10

Os homossexuais, em geral, não são "neuróticos e ansiosos". Pelo contrário, são "afectuosos, tranquilos, confiantes e firmes nas decisões", características que fazem deles melhores pais do que muitos heterossexuais, mais "neuróticos,

A psicóloga Vanessa Ramalho diz que a "identidade sexual da criança é formada muito precocemente, muito antes do bebé conseguir distinguir um homem de uma mulher. O que conhece são os cuidadores e faz uma síntese das características que gosta e que não gosta neles".

ansiosos e inseguros". Conclusões surpreendentes de uma tese em psicologia sobre homoparentalidade, que desfaz estereótipos como o de que uma criança criada por homossexuais tem maiores probabilidades de ser gay ou lésbica.

Segundo a tese daquela psicóloga, "Homoparentalidade: estudo da adequação homoparental", os homossexuais revelam ser bons cuidadores. "Verificam-se características idiossincráticas e comportamentos educativos adequados, promotores de boa parentalidade, que assim assumem índices desenvolvimentais e relacionais, indutores de adaptação emocional e maturidade psicológica." E vai ao ponto de afirmar que pais homossexuais até podem trazer vantagens para a educação de uma criança, até porque um filho resulta, em geral, de muita ponderação e tempo de espera.

Ana (no-me fictício) é lésbica e foi mãe de gémeos através de uma inseminação artificial no estrangeiro. E acredita que a homossexualidade pode ser uma vantagem. Considera que "um pai/ mãe homossexual que seja assumido é, à partida, um indivíduo mais flexível, de mentalidade mais aberta ao mundo e ao que possa fugir do padrão instituído pela sociedade".

Ana recorda a "felicidade imensa" que foi para os seus pais o nascimento dos seus filhos, numa altura em que "já tinham perdido a esperança de ter netos", aceitando "naturalmente" a namorada e a relação que ela tem com os gémeos. E conclui: "Parecem-me crianças felizes e despreocupadas e, apesar da pouca idade, já perceberam que a mamã não tem um marido e que não têm um pai nos moldes da maioria dos amiguinhos, mas sinto que vivem isso de uma forma natural, porque eu e a minha família isso lhes transmitimos."

Manuel (igualmente nome fictício) tem outra história de paternidade para contar. O filho, de 12 anos, resultou de um casamento heterossexual. A criança viveu com ambos os pais até aos sete anos, altura em que o pai se assumiu como gay. Ficou a viver com a mãe, mudando-se no último ano para a companhia do Manuel e do companheiro por "uma questão de logística".

"A parentalidade não se mistura com a orientação sexual. Era pai quando tinha um comportamento heterossexual e continuei a ser pai depois de ter um comportamento homossexual", sublinha, acrescentando: "A questão só se coloca na gestão extraparedes."

Uma preocupação que vai de encontro ao estudo de Vanessa Ramalho. A investigadora diz que "a estigmatização da sociedade é que cria obstáculos à homoparentalidade ou à adopção por homossexuais". E defende campanhas de sensibilização sobre estas novas famílias.

Tem sido esse um dos objectivos das associações de gays, lésbicas, bissexuais e transgenders, como a Ilga. Paulo Côrte-Real, o seu presidente, salienta que o estudo "reforça o que é de consenso científico a nível internacional". Ou seja, "não se justifica a proibição da adopção e da reprodução medicamente assistida por casais homossexuais".

Vanessa Ramalho considera o seu estudo "um contributo para o debate do tema", reconhecendo a limitação da amostra: 25 heterossexuais e 25 homossexuais. Mas a sua tese, orientada pelo pedopsiquiatra Eduardo Sá, é o primeiro trabalho do género em Portugal, dada a dificuldade em inquirir esta comunidade. É que os homossexuais ainda não se sentem preparados para darem a cara!


SOCIEDADE
"Maioria dos casais tem filhos adoptados"
por ANA BELA FERREIRA

Antropóloga estudou famílias homossexuais e defende alterações à lei da adopção, que impede que ambos sejam considerados pais.

"A maioria dos casais homossexuais portugueses tem filhos adoptados. E, como por cá a adopção conjunta não é permitida, são apenas filhos de um dos membros do casal." A afirmação é de Margarida Moz, antropóloga que está a terminar uma tese de doutoramento sobre homoparentalidade.

A situação traz problemas novos, já que, para contornar a situação, "a pessoa que não adoptou acaba por ser o encarregado de educação da criança e assim tem acesso às decisões na vida do filho".

A antropóloga estudou 14 famílias de homossexuais e continua a seguir cinco delas. As dificuldades dos dois elementos do casal em serem aceites legalmente como pais leva Margarida Moz a defender que "a questão da adopção homossexual já devia ter sido resolvida em Portugal. Mesmo antes do casamento. Porque o Estado não proíbe abertamente, mas depois não dá direitos aos casais".

As crianças adoptadas por homossexuais são, por norma, "mais velhas" que as adoptadas pelos heterossexuais. "Se calhar é porque percebem que dificilmente uma adopção é recusada se pedirem uma criança que, à partida, é mais difícil de vir a ser adoptada", diz. Além das adopções, existem ainda homossexuais que procuram barrigas de aluguer. "Uma das minha famílias foi aos EUA ter o filho. Recorreram à doação de um óvulo e a uma barriga de aluguer. Conseguiram registar a criança como filha de ambos lá, mas cá não o conseguem fazê-lo porque falta o nome da mãe", revela a especialista do ISCTE.

 

Novas formas de parentalidade

 

Inseminação artificial

Recorrendo a uma "inseminação doméstica" ou a uma clínica no estrangeiro, as lésbicas portuguesas facilmente podem ter uma criança. Esta fica com o nome da mãe e há uma investigação para averiguar a paternidade, já que a lei portuguesa não admite filhos de pais incógnitos.

Barriga de aluguer

Os gays só podem concretizar o sonho de ser pais através de uma "barriga de aluguer". É legalmente impossível os dois membros do casal registarem a criança como filho, já que a lei só permite o registo ao pai biológico. A maioria dos gays portugueses com filhos foram pais numa relação heterossexual.

Adopção

A lei proíbe a adopção por casais homossexuais, mas não a adopção individual por um homossexual. Mas este tipo de adopção é muito difícil, sobretudo no caso dos homens. Há quem apague todos os vestígios da existência de relacionamentos para ser seleccionado .

DN de 5 de Outubro de 2009 (Céu Neves)

 

 

logotipo do facebook logotipo do twitter logotipo do delicious
PESQUISAR NOTÍCIAS
NOTÍCIAS
2018
Janeiro
2017
Setembro
Agosto
Julho
Junho
Maio
Abril
Março
Fevereiro
Janeiro
2016
Dezembro
Novembro
Outubro
Setembro
Agosto
Julho
Junho
Maio
Abril
Março
Fevereiro
Janeiro
2015
Dezembro
Novembro
Outubro
Setembro
Agosto
Julho
Junho
Maio
Abril
Março
Fevereiro
Janeiro
2014
Dezembro
Novembro
Outubro
Setembro
Agosto
Julho
Junho
Maio
Abril
Março
Fevereiro
Janeiro
2013
Dezembro
Novembro
Outubro
Setembro
Agosto
Julho
Junho
Maio
Abril
Março
Fevereiro
Janeiro
2012
Dezembro
Novembro
Outubro
Setembro
Agosto
Julho
Junho
Maio
Abril
Março
Fevereiro
Janeiro
2011
Dezembro
Novembro
Outubro
Setembro
Agosto
Julho
Junho
Maio
Abril
Março
Fevereiro
Janeiro
2010
Dezembro
Novembro
Outubro
Setembro
Agosto
Julho
Junho
Maio
Abril
Março
Fevereiro
Janeiro
2009
Novembro
Setembro
Agosto
Julho
2006
Julho
Junho
Contacto e Sugestões | Avisos Legais | English