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Público: Primeiro casal de lésbicas na GNR irá "encontrar obstáculos"
2011-02-13
8 de Janeiro, à saída da AR
Agente que assumiu homossexualidade defende que casamento "é um marco para as forças de segurança"
 
O casamento entre pessoas do mesmo sexo é um direito de qualquer cidadão. No geral, é esta a posição de representantes da Guarda Nacional Republicana (GNR) quando se lhes pede que comentem o primeiro casamento homossexual nesta força de segurança, entre uma capitã e uma cabo. Mas num fórum online de profissionais da GNR, há guardas que defendem que a instituição está a ser "enxovalhada" e quem gabe "a cora- gem" das colegas e lhes dê os parabéns. E há ainda quem diga que o casal irá "encontrar obstáculos".
 
A notícia veio a público no Correio da Manhã. Uma capitã, de 27 anos, a exercer funções em Santarém, e uma cabo, de 39 anos, formadora em investigação criminal na Escola Prática da Guarda, decidiram casar-se, oficializando o relacionamento que tinham há dois anos e pedindo os dias de licença a que têm direito. A cerimónia terá tido lugar ontem, na Conservatória do Registo Civil de Lisboa. A decisão de vir a público não terá sido das próprias, que se recusaram a comentar a notícia.
 
Belmiro Pimentel, primeiro agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) a assumir a sua homossexualidade, não conhece as guardas, mas dá-lhes "os parabéns" na sua página da rede social Facebook. Ao PÚBLICO não hesita em considerar o casamento como "um marco para as forças de segurança. É importante a existência deste casamento dentro de uma instituição tão fechada como a GNR, mais do que a PSP", diz o agente que assumiu a sua homossexualidade em 2009 e entretanto fundou o Grupo Identidade XY, grupo de trabalho Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero, inserido no Sindicato Unificado da Polícia.
 
Belmiro Pimentel, que é agente numa esquadra do Porto, diz que seria "mais difícil de digerir se fossem dois homens a casar-se. Este é um mundo masculino", nota e "existe o fetiche heterossexual das mulheres lésbicas". Mesmo assim, afirma que "uma coisa é o politicamente correcto, outra diferente é a aceitação". O agente sabe que este tem sido o tema de conversa na GNR desde que se soube da notícia, na semana passada, e Belmiro Pimentel aponta um posto onde a notícia foi afixada com comentários menos elogiosos, mas também que tal comportamento foi criticado.
 
O fórum online da GNR espelha a divisão. Tanto se lê que as duas guardas "deveriam optar ou pela carreira ou pela sua exposição matrimonial, fora desta instituição", diz um segundo-sargento que não se identifica, como se escreve: "Acho muito bem e pela coragem que tiveram em assumir merecem toda a felicidade", diz um cabo-chefe.
 
César Nogueira, actual presidente da Associação dos Profissionais da Guarda, declara que o casamento "é um direito que lhes assiste, nada há a comentar", mas não duvida que "numa instituição militar" como a GNR "certamente vão encontrar obstáculos. Por mais que diga que existe a lei e que vão viver como outro casal, há preconceitos numa instituição que é conservadora. Vai ser difícil para as colegas". Mas o responsável espera que o facto de o assunto estar a ser falado entre os profissionais possa tornar "a instituição mais aberta".
 
"Nada temos a dizer. A questão da homossexualidade é uma questão que para nós é menor. Respeitamos mas consideramos que há coisas mais importantes, como a mortalidade nas estradas ou as condições de trabalho na GNR", afirma José Alho, presidente da Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda.
 
Para Helena Carreiras, socióloga do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa, que estuda a questão do género nas forças militares, "as instituições não devem ter nada a dizer. É uma questão da esfera pessoal dos seus membros. Desde que não entre em colisão com a vida profissional, são esferas que não se cruzam". A investigadora considera que "é um passo corajoso", já que "as instituições militares têm sido mais resistentes a transformações". "É importante que numa sociedade democrática as expressões minoritárias vão aparecendo", mas, defende, o ideal seria que este passasse a ser "um não assunto" e não fosse motivo de notícias.
 
in Público, 13 Fevereiro 2011, por Catarina Gomes
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