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Polícia gay luta pela igualdade na instituição
2010-03-14

Durante anos, o agente da PSP Belmiro Pimentel escondeu da família e dos amigos os seus sentimentos por pessoas do mesmo sexo. Cansado de esconder a sua orientação sexual, percebeu, um dia, que quem o conhecia iria aceitá-lo independentemente da sua orientação sexual. Foi assim com os familiares próximos, mas não foi tão fácil com os colegas de trabalho.

"Ouvia piadinhas, algumas nas minhas costas", conta Pimentel ao DN. Há sete anos, o agente da PSP percebeu que não podia continuar a esconder-se. Antes esquivava-se a perguntas como "quando é que casas?", ou "com quem foste sair?". Hoje, luta pelo fim dessa discriminação e dá a cara por um grupo de trabalho integrado no Sindicato Unificado de Polícia (SUP) que pretende receber todos os elementos da PSP homossexuais que se sintam discriminados na sua profissão.

O grupo de trabalho está ainda a discutir as várias formas de luta. Primeiro é necessário saber em que é que os polícias se sentem discriminados. Depois perceber como é que se pode inverter a situação. "Há polícias que nos procuram, mas quando pretendemos tomar medidas retraem-se, temendo represálias", disse ao DN Peixoto Rodrigues, presidente do SUP, que não teve dúvidas em aceitar este grupo no sindicato.

Mais do que mudar a mentalidade dentro da instituição, o polícia considera importante não discriminar as vítimas. "Os homossexuais são alvos fáceis de crimes e muitas vezes sentem vergonha de denunciar. Há vítimas de violência doméstica, ou bissexuais, casados, que foram vítimas em locais conotados com a homossexualidade e têm vergonha de o denunciar", diz. (ver entrevista na última página).

O porta-voz da Direcção Nacional da PSP, Paulo Flor, disse ao DN que a PSP respeita qualquer credo, religião ou orientação sexual. E que os polícias que atendem vítimas de crimes sexuais têm uma formação específica e sensibilidade acrescida para o fazer.



Alegações Finais
"Em Inglaterra há paradas 'gay' com polícias fardados"
DN de 3 de Junho, por Sónia Simõe

Entrevista com Belmiro Pimentel, agente do Comando da PSP do Porto.

Porque decidiu criar um grupo de trabalho de apoio aos polícias homossexuais?

Por incentivo de um colega da PSP, que está a tirar uma licenciatura em Sociologia e a trabalhar sobre o tema da orientação sexual. Comecei a perceber que muitos colegas meus eram discriminados por serem gays e decidimos criar este grupo à semelhança do já criado Eurogaypolice.

Mas já se sentiu discriminado?

Sinto-o desde o momento em que falam nas minhas costas. Mas os meus colegas que me olham pela pessoa que eu sou rebatiam os argumentos. Outras vezes, eu próprio o fiz. Mas sei do caso de um colega que foi afastado de um grupo de trabalho, com boas notas, e que não encontra explicação para isso.

E como é que este grupo pretende mudar isso?

Estamos ainda numa fase de estágio. Para já, o grupo de trabalho sou eu, o meu colega que está a estudar Sociologia e o João Paulo do Portugal Gay. Mais tarde pretendemos contar com juristas, psicólogos e outros profissionais que nos possam ajudar. As coisas estão a caminhar no bom sentido.

Desde que deu a cara por este movimento já sentiu alguma represália?

Até ao momento não, nem se espera que existam. Se houver algum comentário e eu sinta que a minha imagem e honra foram denegridas, usarei os meios legais. Mas há colegas meus que já me contactaram e que temem represálias, por isso não dão já a cara.

Já foi contactado por muitos colegas?

Alguns colegas contactaram-me, mas nem todos são homossexuais. Dizem que sou corajoso. Prefiro que isto seja encarado como altruísmo pelos outros que sentem o mesmo que eu. Alguns temem ser conotados com os homossexuais quando estão comigo. Para as mulheres é mais fácil. Também há muitas mulheres lésbicas na PSP.

Espera que este grupo de trabalho se desenvolva ao ponto de se tornar independente e, quem sabe, ser uma associação sindical?

Este grupo poderá caminhar para um outro que acolha homossexuais de outras instituições, como da GNR, da PJ ou até da segurança privada, à semelhança do que acontece em Espanha. Ponderamos isso, para já somos ainda um embrião a trabalhar no seio da PSP. Em Inglaterra até já há paradas gay com polícias fardados.

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A Associação ILGA Portugal, enquanto associação de defesa dos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero (LGBT), tem vindo a alertar para a necessidade de políticas activas de combate ao preconceito homófobo em sectores-chave para o funcionamento da democracia incluindo a justiça, a saúde, a segurança social, as escolas e, inevitavelmente, as forças e serviços de segurança. Os agentes públicos não podem reflectir os preconceitos e os comportamentos discriminatórios existentes na sociedade. Estes agentes têm, pelo contrário, que estar um passo à frente da sociedade, garantindo o cumprimento eficaz da lei. E é a este nível que as instituições devem agir.

Nesse sentido, a Associação ILGA Portugal enviou em 2007 uma proposta de boas práticas para o relacionamento entre as forças e serviços de segurança e as cidadãs e os cidadãos LGBT, em conjunto com documentos que exemplificam boas práticas de outros países europeus aos principais responsáveis políticos com competências neste âmbito (Primeiro-Ministro da República Portuguesa, Ministro da Administração Interna, Ministro da Justiça, Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros), dirigentes máximos das várias forças de segurança nacionais (Inspector-Geral da Administração Interna, Director Nacional da Polícia Judiciária, Director Nacional da Polícia de Segurança Pública, General Comandante-General da Guarda Nacional Republicana, Director-Geral dos Serviços de Informação e Segurança) e ainda ao Presidente do Conselho Directivo do Centro de Estudos e Formação Autárquica, ao Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, ao Presidente da Área Metropolitana de Lisboa e ao Presidente da Área Metropolitana do Porto, dado julgarmos também importante divulgar esta proposta junto das várias Polícias Municipais.

O documento pode ser lido aqui.

in DN de 3 de Junho 2009

 

 

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