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Ângelo Rodrigues fala da sua vida
2015-08-23
Ângelo Rodrigues
Ângelo Rodrigues é, aos 27 anos, um dos artistas mais capacitados da sua geração com um currículo invejável e uma licenciatura acabadinha de tirar. Já foi poeta, músico, encenador e estudante. Atualmente protagoniza dois projetos em simultâneo, um como “Don Giovanni”, no teatro, e outro como “Salomão” na novela “Poderosas”, da SIC. Natural do Porto, o jovem ator não perde o norte às suas raízes e de pés bem assentes no chão divide a paixão pela profissão com o amor pela apresentadora Iva Domingues, com quem namora há cinco anos.
 
Este ano parece estar ser extraordinário para si. Acabou a licenciatura em Teatro, regressou à televisão, recomeçou uma peça… Melhor era impossível?
Sim, melhor era impossível mas a carga horária tem sido extraordinária. No último mês de julho, por exemplo, estive com três projetos ao mesmo tempo, coisa que nunca me tinha acontecido e não aconselho a ninguém. Gravava novela de manhã, ensaiava “Don Giovanni” à tarde e à noite ia ensaiar para o Teatro Nacional, os “Condenados”, a peça do final da licenciatura. Foi um processo quase esquizofrénico. No entanto, senti que este novo projeto (Don Giovanni) era importante para poder mostrar, passo a passo, o que possa valer no Teatro.
 
Mas o Ângelo, por aquilo que conhecemos, não é pessoa de ter apenas um ofício. Sempre foi assim?
É verdade. Tenho esta necessidade de azáfama constante. Não consigo estar parado. Tenho quase 30 anos e nunca larguei os estudos. Tirei alguns cursos, concluí agora esta licenciatura e, quando julgava que ia ficar por aqui, já estou a pensar no mestrado…
 
E já decidiu onde vai fazer esse mestrado?
Queria tirá-lo fora de Portugal, de preferência nos Estados Unidos, talvez em Los Angeles, mas ainda não decidi.
 
Cumpre um projeto de vida ou deixa as situações irem correndo?
Não tenho um projeto de vida definido. Calculo que talvez daqui a três anos possa começar o mestrado. Agora encontro-me num período de expansão profissional e não posso estar constantemente a dividir-me entre os estudos e o trabalho.
 
O seu mais recente projeto é a peça “Don Giovanni”, em cena no Teatro Thalia, em Lisboa. Como está a correr?
Estamos na segunda semana de espetáculos e até agora tem corrido muito bem. A casa tem estado sempre cheia, as pessoas demonstram que gostam de ir ao teatro e têm-se divertido muito. É uma peça que tem tudo para resultar.
 
Atualmente interpreta na televisão um calmo e cobiçado “Salomão” e no teatro um “Don Juan”. Sente-se bem nestes papéis de galã?
É um bocadinho estranho para mim. O Don Giovanni é um papel difícil para mim porque não queria cair no estereótipo. Este é um papel que atravessa gerações, é muito fácil cair num cliché e tentei fugir disso. Tenho pânico de cair em clichés.
 
E qual está a ser o maior desafio do “Salomão”? Muitos atores dizem que é mais difícil interpretar uma pessoa “normal” do que um personagem mais vincado como um “vilão”.
É verdade, estes personagens acabam mesmo por ser os maiores desafios. As novelas caminham no sentido de fugir cada vez mais ao estereótipo e humanizar as personagens, porque nem toda a gente é totalmente má, nem totalmente boa. Não é fácil fazer uma personagem assim porque é preciso encontrar na normalidade alguma coisa que a distinga de personagens anteriores.
 
E existem semelhanças entre esse personagem e o Ângelo?
Existem caraterísticas no “Salomão” que me distinguem e outras que me aproximam deste personagem. A que me separa mais é a forma como ele lida com as pessoas, no sentido do envolvimento emocional. Ele é muito imediato, quer viver o momento e se tiver de ficar por aí fica. Responde apenas ao impulso. O que me aproxima mais dele é o facto de ser um homem viajado, de querer viajar muito para ajudar outras pessoas e de estar ligado a causas humanitárias.
 
O Ângelo, aliás, dá a cara por algumas dessas causas, como é o caso da coadoção por casais do mesmo sexo, devido ao papel que desempenhou na novela “Sol de Inverno”. Como vive diariamente essa faceta solidária?
Às vezes, o estar presente e disponível para ouvir e conversar é muito mais importante do que uma ação específica como, por exemplo, um donativo monetário. Quem está num período de transição, um adolescente, por exemplo, muitas vezes só quer ouvir uma pessoa mais velha e uma palavra amiga. A esse nível estou sempre disponível. Mais esporadicamente faço conferências e algumas visitas a lares de acolhimento para conversar com miúdos que estão, precisamente, numa fase difícil.
 
As experiências enquanto ator motivaram esses gestos?
É por isso que acho a minha profissão tão especial. Ao podermos vestir várias personalidades acabamos por abraçar temas que nunca nos tinham passado pela cabeça. Quando fiz o meu primeiro protagonista em “Rosa Fogo” fiquei muito mais próximo das pessoas com Alzheimer porque a minha mãe na novela sofria dessa doença. Na novela seguinte, acabei por me aproximar de projetos contra o bullying homofóbico. Agora estou mais próximo do projeto da ILGA, que é a entidade que mais representa as lésbicas, os gays e os transgéneros em Portugal. Tornamo-nos muito mais sensíveis e humanizamo-nos muito mais enquanto pessoas quando ajudamos a combater os flagelos sociais.
 
Sempre foi uma pessoa de ação?
Sim… a história não é feita de pessoas passivas e são as pessoas que agem que ficam para a história. Não quero fazer disto uma metáfora para mim, apenas acho que não podemos ter uma atitude passiva perante a vida, sob pena de um dia olharmos para trás e não sentirmos orgulho das coisas que fizemos.
 
De que forma quer ficar para a história?
Não quero. Cada um de nós pode cuidar do seu próprio quintal, à sua maneira, e tentar mudar um bocadinho o mundo. Não estou a pedir para que todas as pessoas sejam o Martin Luther King ou o Ghandi, mas se a ação partir de cada um de nós, acredito piamente que deixaremos um mundo muito melhor aos nossos filhos.
 
Regressando um bocadinho ao seu passado, chegou a escrever poemas e inclusive a ganhar prémios de poesia em criança e adolescente. O “Ângelo Poeta” ficou arrumado na gaveta?
Há uma multiplicidade de coisas que gosto de fazer e há algumas que acabam, não por ficar de lado, mas um bocadinho adormecidas. Mas de todas as coisas que faço, acho que o elo de ligação é sempre a comunicação. E é engraçado porque, do meu ponto de vista, o ser artista é sempre uma medição de tensões entre o querer comunicar e o querer esconder-se. Ou seja, há sempre um desejo de comunicar e partilhar, e, ao mesmo tempo, pelas minhas caraterísticas pessoais, por ser mais reservado, há o desejo de me esconder constantemente. Mostro o meu trabalho e escondo-me a seguir na minha carapaça. É como se os artistas fossem tartarugas (risos).
 
Essa sua vontade de se esconder tem a ver com a fama, com o estar demasiado exposto?
Tem tudo a ver com isso. É preciso ter arcabouço para aguentar a exposição e tudo o que ela acarreta. Não é fácil lidar com a pressão de ser constantemente avaliado, de estar constantemente exposto ao escrutínio social. É preciso ter estofo e para isso é muito importante ter amigos, família e uma namorada em casa para estarmos constantemente em contacto com o chão e sabermos qual é o nosso porto seguro.
 
E como lida com situações como a que lhe aconteceu recentemente quando viu o seu nome e imagem abusivamente usados num local de encontros online?
Isso é um “não assunto”. Não tenho qualquer comentário a fazer sobre o tema…
 
A sua namorada, a apresentadora Iva Domingues, também passou por uma polémica nas redes sociais devido a um comentário sobre Guimarães. Como lidam com estas situações enquanto casal?
Não tenho muito a dizer sobre isso. Conheço muito bem a Iva, sei do que ela é capaz, aliás, ela é uma “Maria Capaz”, com brio, e uma profissional distinta como poucas que vejo. Sei perfeitamente a mulher e a profissional que tenho em casa. As redes sociais fazem com que, com esta descontextualização, toda a gente se apresse a fazer um julgamento, mesmo que não tenha os conhecimentos necessários. O que me irrita um bocado nas redes sociais é que de repente somos todos cronistas, filósofos, ‘opinion-makers’ e críticos, quando há pessoas que não fazem a mínima ideia do que estão a falar. É esta glorificação da ignorância que dá azo a estas situações.
 
Como figura pública, quando vive uma situação destas como reage? Ignora e continua em frente ou dá-lhe vontade de apagar todas as suas contas nas redes sociais?
Já passei por essas fases todas. Tento sempre pensar que quem possa falar mal é sempre uma minoria porque há sempre uma maioria que gosta de nós e que nos quer ver a ter sucesso. Embora pareça que a felicidade faz confusão a muita gente, quero acreditar e acredito na humanidade. Quero acreditar que é uma minoria e que essas pessoas não têm qualquer relevância nas nossas vidas. Tudo o que fazemos e a partilha do nosso trabalho é para as pessoas que, de facto, gostam de nós.
 
Quais os seus desejos mais imediatos?
Gostava de ter verão. Fui um dia à praia este ano e já estamos a meio de agosto. Sinto falta, sobretudo, do ócio, do poder estar com amigos e de desligar o cérebro.
 
Está então um bocadinho ‘invejoso’ da Iva, que está neste momento a viajar pela América do Sul?
Estou muito invejoso! (risos) No bom sentido, claro. Tenho muito orgulho nela e estou muito feliz que ela passe por experiências que eu já vivi no passado.
 
O Ângelo foi, aliás, o impulsionador desta viagem da Iva.
Fui. Já tinha feito essa viagem sozinho e quando ela me informou que tinha esse projeto com amigos eu fui o primeiro a dizer-lhe “Vai, por favor!”.
 
Como será o resto do seu ano profissional?
A novela “Poderosas” vai continuar até ao final do ano. Tudo indica que faremos uma digressão com a peça “Don Giovanni” e que, por isso, continuarei com mais do que um projeto em simultâneo até meados de dezembro. Depois, em 2016, logo se vê.
 
E com a Iva Domingues, sua namorada, existem projetos a dois?
Nós vivemos constantemente um projeto a dois. É um projeto feito um dia de cada vez, sem que isto queira parecer, de alguma forma, passageiro. Nada disso. Vamos fazer cinco anos de namoro e meia década já ninguém nos tira. Mas, para o futuro, é difícil planear. Por exemplo, estou numa fase da vida em que não seria sensato pensar em filhos, mas claro que é um dos meus desejos a médio prazo.
 
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