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Prémios Arco Íris 2016 pintaram de todas as cores o Mercado Time Out
2017-01-17
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A entrega dos Prémios Arco Íris 2016 decorreu no sábado, 14 de janeiro, no Estúdio Time Out, em Lisboa. Foi a 14.ª edição de uma iniciativa organizada pela Associação ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero) Portugal.
 
Os Prémios Arco Íris são anualmente atribuídos em reconhecimento pelo trabalho na luta contra a homofobia, bifobia e transfobia. Com apresentação de Rita Ferro Rodrigues, a cerimónia deste ano contou com atuações do coro CoLeGaS, Rita Redshoes e Carlos Costa.
 
A cerimónia de atribuição dos Prémios Arco Íris arrancou com a atuação do coro CoLeGaS. Telepatia e Teu Ponto Final foram os temas interpretados, ambos originais da cantora portuguesa Lara Li. A terceira e última canção, Rise Like a Phoenix, da autoria de Conchita Wurst: a vencedora do Festival Eurovisão da Canção em 2014.
 
As escolhas musicais não são inocentes. Lara Li foi uma das primeiras mulheres portuguesas a assumir publicamente a sua homossexualidade e Wurst, interpretada pelo austríaco Thomas Neuwirth, é uma célebre drag queen. Ambas as figuras deram a cara pelo combate ao preconceito homofóbico e à discriminação com base na orientação sexual ou identidade de género.
 
Após esta primeira atuação, Nuno Pinto, presidente da direção da ILGA, relembrou as muitas conquistas da comunidade LGBTI e o longo caminho que ainda têm a percorrer. “Só agora estamos a assistir ao principio do fim da homofobia”, afirmou.
 
Antes de passar a palavra à convidada especial desta edição, Nuno Pinto fez questão de apelar à defesa da igualdade e ao combate à discriminação. “Promovam a igualdade nos vossos ciclos próximos. Denunciem sempre a discriminação. Aliem-se à igualdade. Associem-se à ILGA. A igualdade precisa de vocês”, incentivou.
 
Depois de uma breve, mas intensa, sessão de abertura, que foi marcada por alguns inconvenientes técnicos, Rita Ferro Rodrigues subiu ao palco e iniciou a apresentação da cerimónia.
 
“Sou feminista, sou jornalista, sou apresentadora. E queria dizer-vos que em mais de 20 anos de profissão este é o momento em que sinto a maior honra em subir a um palco, no meu país”. Foi desta forma que a jornalista se apresentou.
 
 
A primeira premiada da noite foi a jornalista Catarina Marques Rodrigues. A vida no Colégio Militar: “Parece um Big Brother”, reportagem publicada no jornal Observador, foi o trabalho que lhe valeu o primeiro Prémio Arco Íris.
 
Num trabalho que retrata a realidade dos jovens alunos e alunas da instituição de ensino, Rodrigues denuncia práticas discriminatórias e de exclusão em função da orientação sexual, ainda recorrentes no interior da instituição. A peça levantou uma enorme polémica, que culminou nas demissões do Chefe do Estado-Maior do Exército e de alguns membros do colégio.
 
Durante o discurso de aceitação, a ex-redatora do Espalha-Factos partilhou um episódio de discriminação e silenciamento que testemunhou, quando tinha apenas 13 anos.
 
Em resposta a esta ocorrência e a tantas outras semelhantes, a jornalista deixou uma promessa. “Enquanto houver alguma coisa para denunciar. Enquanto houver uma discriminação, uma desigualdade. Enquanto houver alguém que não pode ser aquilo que é, porque os outros não gostam. Eu vou cá estar para o fazer”, garantiu.
 
Em conversa com o Espalha-Factos, a jornalista refletiu sobre o valor da profissão que partilha com tantos outros portugueses. “Jornalismo é falar sobre pessoas. Eu procuro dar voz às minorias”. “Se houver pelo menos um aluno ou aluna que agora adormece feliz com quem é, para mim já valeu a pena”, acrescentou. No fim, confessou que cada reconhecimento é como “uma bomba de oxigénio” que a faz continuar.
 
Seguiu-se a entrega dos Prémios Arco Íris por boas práticas empresariais. Os vencedores desta edição foram as empresas TAP e Lush Portugal.
 
A transportadora aérea portuguesa lançou, em fevereiro do ano passado, um passatempo que visava oferecer uma viagem a dois, como celebração do dia de São Valentim. Numa iniciativa a favor da inclusão social e contra o preconceito homofóbico, a empresa optou por premiar um casal de jovens homossexuais. Apesar das muitas mensagens de ódio e discriminação, a TAP manteve-se fiel à sua iniciativa e apelou ao respeito e à defesa da igualdade.
 
Por sua vez, a Lush, uma marca de cosméticos artesanais e 100 vegetarianos, lançou uma campanha anti-preconceito. “TRANSformando o Mundo” foi o nome atribuído à iniciativa, realizada em parceria com a ILGA Portugal.  O principal objetivo foi “limpar preconceitos” associados às pessoas transgénero e apoiá-las no processo de aceitação.
 
Os terceiros premiados da noite foram Conceição Lino, Carlão e Boss AC, pela participação no programa E Se Fosse Consigo?. Procurando avaliar a permanência de uma mentalidade homofóbica e a capacidade de intervenção dos portugueses, um dos episódios foi dedicado à homossexualidade. Apesar de terem sido várias as pessoas a incentivar um comportamento discriminatório, foram também notáveis aquelas que reprovaram o cenário de humilhação.
 
O programa foi, por isso, reconhecido pelo papel interventivo no combate à homofobia e ao preconceito. Carlão aproveitou o momento para felicitar Lino e fazer uma crítica à programação da televisão nacional. “Não se passa nada na televisão portuguesa. Não há programas de autor, há programas de vasto tédio. Há muito futebol. Há programas a mais e conteúdo fútil e dispensável”, afirmou o rapper.
 
Rita Redshoes subiu ao palco para completar a segunda atuação da noite. A primeira música, Blood Deal, foi uma escolha da cantora e a segunda foi interpretada a pedido da ILGA Portugal: Mulher. Faz parte do seu último álbum, Her, lançado em 2016.
 
O quarto premiado a subir ao palco, a convite de Teresa Amor e Pedro Carreira, membros da direção da ILGA, foi Rui Maria Pêgo.
 
Em junho do ano passado, numa publicação escrita no Facebook, o jovem condenou o massacre de Orlando e apelou ao fim dos discursos de ódio. Na mesma publicação, Pêgo assumiu publicamente a sua homossexualidade e contribuiu, por isso, para a visibilidade da comunidade LGBTI em Portugal.
 
A cara de Filho da Mãe declarou que a família e os amigos próximos tiveram conhecimento da sua orientação sexual muito antes da revelação pública. Num discurso carregado de humor, Rui Pêgo agradeceu o apoio dos pais e relembrou a importância da resistência ao medo e ao estigma.
 
Com a cerimónia a aproximar-se do fim, foi tempo de premiar o filme Jogo de Damas, realizado por Patrícia Sequeira. Com argumento de Filipa Leal, esta obra cinematográfica foi produzida por uma equipa inteiramente constituída por mulheres.
 
Apesar de existirem cinco protagonistas no filme, apenas Ana Padrão e Rita Blanco marcaram presença na cerimónia, ao lado de Filipa Leal e Patrícia Sequeira. A realizadora fez questão de sublinhar a falta de reconhecimento nacional. “Este filme já ganhou 11 prémios no estrangeiro. Este é o primeiro em Portugal e talvez seja o único. Mas era o único que me interessava”, orgulhou-se.
 
O último prémio da noite foi atribuído à Assembleia da República pelo fim da discriminação no acesso à Procriação Medicamente Assistida. Jorge Lacão, vice-presidente da AR recebeu o prémio em representação da instituição e de todos os deputados que se levantaram a favor desta conquista.
 
A convite do vice-presidente subiram também ao palco os deputados André Silva, do PAN, Cláudia Madeira, do PEV, Paula Santos, do PCP, Sandra Cunha, do BE , Isabel Moreira, do PS e Rubina Berardo, do PSD.
 
Rita Ferro Rodrigues não quis abandonar o palco sem antes deixar um especial agradecimento a Isabel Advirta, primeira mulher a ser eleita presidente da ILGA Portugal, e a Paulo Côrte-Real, ex-presidente da mesma associação.
 
Carlos Costa encerrou a 14.ª cerimónia de atribuição dos Prémios Arco Íris e deu início à festa que se prolongou até às quatro da manhã.
 
Nuno Pinto revelou ao Espalha-Factos estar muito orgulhoso pelo resultado final de mais uma edição dos Prémios Arco Íris. “Foi uma grande celebração pela igualdade”, festejou o presidente.
 
In Espalha-Factos, 17.01.2017
 
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