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Reino Unido: Homossexuais com maior risco de solidão na velhice
2011-09-11
lgbidosos

Homens e mulheres homossexuais na Grã-Bretanha têm mais probabilidade de acabarem a viver sozinhos e ter menos contacto com a família na terceira idade que pessoa heterossexual, de acordo com um relatório pioneiro que levanta questões significativas sobre o modo como a sociedade responde às suas necessidades.

O relatório, o primeiro deste género, tem implicações para os médicos de família e serviços de saúde e sociais numa época em que a população britânica está a envelhecer. Estima-se que existam um milhão de lésbicas, gays e bissexuais na Grã-Bretanha com mais de 55 anos.

Um inquérito desenvolvido pela YouGov, comissariado pela organização Stonewall, verificou que os homens gays e bissexuais têm três vezes mais probabilidades de estarem solteiros que os homens heterossexuais.

Apenas um pouco mais de um quarto dos homens gays e bissexuais e metade das mulheres lésbicas e bissexuais têm filhos comparados com quase nove em cada dez homens e mulheres heterossexuais. Também é menos provável que vejam a sua família biológica com regularidade. Menos de um quarto de pessoas LGB vêm a sua família biológica pelo menos uma vez por semana, comparada com mais de metade das pessoas heterossexuais, de acordo com o inquérito a 1050 heterossexuais e 1036 pessoas LGB com mais de 55 anos.

“Esta investigação pioneira confirma o que já sabíamos intuitivamente, que há centenas de milhar de lésbicas e gays a envelhecer sem as mesmas estruturas familiares e de apoio que as pessoas heterossexuais têm”, disse Ben Summerskill, Chefe-executivo da Stonewall.

“Muitas vezes, é porque as próprias famílias os renegaram pela sua orientação sexual.”

A perspetiva de solidão iminente é um tema recorrente entre os entrevistados para o relatório. “Como homem solteiro, sinto-me triste quanto à possibilidade de encontrar conforto emocional e apoio”, disse aos entrevistadores Michael, de 60 anos.

Paul, de 59 anos, disse: “A minha homossexualidade torna-me menos ligado à minha família biológica que, se fosse de outra maneira, cuidaria de mim.”

A perspetiva de uma terceira idade solitária pode ser um dos motivos pelos quais a investigação sugere que as pessoas LGB sentem mais ansiedade perante o envelhecimento do que as pessoas heterossexuais.

Com redes de apoio reduzidas comparadas com as dos seus pares heterossexuais, têm mais probabilidade de precisar de serviços de apoio formais à medida que envelhecem. O relatório identificou que a necessidade de serviços externos, como médicos de família e serviços sociais, é duas vezes superior à dos heterossexuais. Mas muitos preocupam-se que os serviços não respondam às suas necessidades.

Três em cinco não têm confiança que os serviços de apoio respondam às suas necessidades.

Cerca de 72 das pessoas LGB disse que se preocupa com a perspetiva de precisar de cuidados na terceira idade, comparada com 62 de heterossexuais. Metade declarou que se preocupa com a habitação comparado com 39 dos heterossexuais enquanto 69 se preocupava com a sua saúde comparado com 59 dos heterossexuais.

Frank, 64 anos, afirmou: "Preocupo-me que o meu parceiro adoeça ou morra e em deixá-lo sozinho se eu morrer primeiro.”

James, de 55 anos, disse: "Ser gay e envelhecer não é o mesmo que envelhecer sem ser gay, as dificuldades aumentam”

Os receios misturam-se com os estilos de vida. Homossexuais têm mais probabilidade de beber álcool regularmente, tomar drogas e ter uma história de problemas de saúde mental.

Mas apesar destas preocupações, muitos sentem-se desconfortáveis em assumir a sua orientação aos profissionais de saúde e sociais. Quase metade disse que se sentiria desconfortável em assumir a sua orientação a funcionários de lares e um terço a cuidadores ao domicílio.

“Pela primeira vez, esta geração envelhecida de pessoas LGB tem expectativas de ser tratada com respeito tanto pelos serviços públicos como pelos privados”, disse Summerskill.

“Querem poder partilhar um quarto num lar de idosos ou serem apoiados ao longo da doença terminar do seu parceiro, como qualquer outra pessoa.”

Summerskill mostrou-se preocupado sobre se o sistema de cuidados britânico conseguirá reconhecer que nem todos os casais são iguais.

“Estamos perante uma bomba-relógio pela ignorância institucional sobre o que uma comunidade que paga impostos de quase 40 mil milhões de libras por ano para os serviços públicos irá em breve – e com toda a justificação – exigir.”

[Tradução livre]

In The Observer, 11 setembro 2011, por Jamie Doward.

Pode consultar o Relatório aqui.
 

 
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