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FILME AMERICANO INSPIRA CAMPANHA CHINESA CONTRA CURA DA HOMOSSEXUALIDADE
2019-01-21
FILME AMERICANO INSPIRA CAMPANHA CHINESA CONTRA CURA DA HOMOSSEXUALIDADE

Pequim descriminalizou a homossexualidade em 1997 e retirou-a da sua lista de doenças mentais em 2001. Mas os homossexuais, gays ou lésbicas, continuam a ser alvos de forte pressão familiar e social. E muitos resignam-se ao casamento para responder ao desejo dos pais. Às vezes, o seu ambiente encoraja-os a submeterem-se a tratamentos de "reorientação" baseados em medicamentos, isolamentos ou choques elétricos.

 
Essas "terapias de conversão" são consideradas ineficazes por especialistas e não têm qualquer base científica comprovada.
 
Alguns hospitais chegaram mesmo a ser condenados pela Justiça de vários países pela prática deste tipo de procedimentos.
 
Indignado pelas práticas, o artista chinês Wu Qiong optou por lançar uma campanha itinerante para chamar a atenção dos seus compatriotas sobre o assunto.
 
Segundo ele, foi inspirado pelo filme americano "Três Cartazes à Beira da Estrada" de 2017, onde uma mãe paga três cartazes publicitários com mensagens de acusação para chamar a atenção da polícia após o homicídio e violação da filha.
 
 
 
"Este filme tem como objetivo fazer perguntas sobre problemas não resolvidos. Também queríamos usar esse método para questionar essas terapias de conversão", explicou Wu à AFP.
 
O artista de 28 anos de Shenzhen (sul) afirma não ser homossexual. A campanha foi coordenada cum um agente da polícia, cujo sobrenome é Lin.
 
"Um tratamento contra uma doença que não existe", proclama um cartaz vermelho sobre um dos caminhões que circulam na cidade.
 
Os outros dois carregam as seguintes mensagens: "A classificação chinesa de transtorno mental continua a incluir transtornos de orientação sexual" e "Já se passaram 19 anos, por quê?".
 
A campanha começou em Xangai (leste) no último fim de semana e continuará por outras sete cidades, incluindo Pequim.
 
Este tipo de campanhas públicas é raro na China, onde o nível de tolerância das autoridades em relação a qualquer manifestação que possa "perturbar a ordem pública" é extremamente baixo. Mas Wu Qiong diz que até agora ninguém se opôs.
 
 
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