Situação das pessoas LGBTI+ na Turquia — pedido de posição do Governo português
Enquanto organizações de defesa dos direitos LGBTI+, manifestámos junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros português a nossa profunda preocupação perante o agravamento da situação dos direitos humanos das pessoas LGBTI+ na Turquia, solicitando ao Governo uma posição pública sobre os recentes acontecimentos naquele país.
Nas últimas semanas, temos assistido a uma intensificação da repressão contra pessoas LGBTI+, organizações da sociedade civil e pessoas defensoras dos direitos humanos. Em setembro, operações policiais em várias cidades turcas resultaram na detenção de dezenas de ativistas e pessoas associadas a organizações LGBTI+, tendo-se registado igualmente detenções de pessoas que participaram em manifestações pacíficas contra estas ações. Foram ainda reportados bloqueios de websites e contas de redes sociais de organizações e ativistas.
Estes acontecimentos inserem-se num contexto mais amplo de crescente pressão política e legislativa sobre as pessoas LGBTI+ na Turquia, incluindo propostas de alteração legislativa suscetíveis de restringir direitos fundamentais e de criminalizar determinadas formas de expressão relacionadas com orientação sexual e identidade de género.
A gravidade destes desenvolvimentos foi já reconhecida por instituições europeias. O Serviço Europeu para a Ação Externa manifestou preocupação perante as detenções e processos judiciais contra pessoas LGBTI+, ativistas e organizações da sociedade civil, apelando às autoridades turcas ao respeito pelas garantias fundamentais e à cessação da intimidação da sociedade civil. Também o Conselho da Europa tem manifestado preocupação perante a repressão e as restrições impostas à sociedade civil LGBTI+.
Neste contexto, consideramos importante que Portugal contribua ativamente para uma resposta europeia concertada e coerente na defesa dos direitos humanos e do espaço cívico na Turquia.
Solicitamos, assim, ao Governo português que:
- manifeste publicamente a sua preocupação perante a situação das pessoas LGBTI+ e da sociedade civil na Turquia, reafirmando o compromisso de Portugal com os direitos humanos e o princípio da não discriminação;
- expresse o seu apoio às organizações LGBTI+, ativistas e defensoras e defensores dos direitos humanos que continuam a desenvolver o seu trabalho num contexto de crescente pressão e repressão;
- contribua, no âmbito da União Europeia e de outras instâncias internacionais, para uma resposta diplomática coordenada que promova o respeito pela liberdade de expressão, reunião e associação e pela proteção das pessoas defensoras dos direitos humanos;
- acompanhe atentamente os desenvolvimentos legislativos e políticos na Turquia, nomeadamente quaisquer medidas susceptíveis de restringir ou criminalizar direitos das pessoas LGBTI+.
Acreditamos que a defesa dos direitos humanos deve constituir uma dimensão transversal da política externa portuguesa e que os direitos das pessoas LGBTI+ são parte integrante e indissociável deste compromisso.
Por isso fizemos este apelo, manifestando ainda a nossa disponibilidade para colaborar com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, nomeadamente através da partilha de informação produzida pela sociedade civil turca sobre a situação das pessoas LGBTI+ na Turquia.
As organizações signatárias
- Associação ILGA Portugal
- AMPLOS – Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género
- Casa Qui – Associação de Solidariedade Social
- Opus Diversidades
- rede ex aequo – associação de jovens LGBTI e apoiantes